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Diário de Uma Adoradora


Pleno

 

Um pássaro caminha

Pela noite enluarada

Em ruas mal iluminadas

E nuas de gente.

Solto, livre, cantante,

Feliz com seu destino,

Num suave desatino.

Tão só, tão repleto de si...

Quis voar, e assim fez.

Seus movimentos são seus,

Respira a sonhada conquista

De voar, voar, voar...

Com os pés no chão

-          não importa.

A sua alegria não se submete

Nem às leis da física, nem ao bom senso.

Não é humano, é pássaro!

Vive a vida desejada

Simples, harmônica, segura.

A gaiola dourada ficou pra trás.

Definitivamente.

 

(22/01/05)

 



Escrito por Adoradora às 22h46
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Para Aninha

 Passa o tempo,

Passa a vida,

Passa a dor,

Passa a alegria,

Passa o fogo,

A agonia,

Passa o amor,

Passa a menina.

Passa a lua,

 Inteira, nua;

Passa a hora,

Passa o dia.

Passa tudo,

Passa, passa;

Passa o tempo,

Passarás, passarás.

 

 



Escrito por Adoradora às 22h40
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A primeira vez (Conto)

 

A curiosidade foi maior que o medo. Ao sentir o toque suave dos lábios em sua nuca, um inegável arrepio tomou-lhe o corpo. Entre o receio e o prazer impôs um limite, até então bem claro, indubitável. Mas os pensamentos perderam a razão quando sentiu aquele outro corpo colando-se ao seu. A excitação veio rápida, e viria mesmo se não quisesse.

 

Todo o seu corpo era agora daquelas mãos. Em sua cabeça só havia espaço para o desejo. Incontrolável, avassalador. Agora era a sua própria mão a explorar aquele outro corpo, ávida, curiosa, nada sutil. Vira-se, e sua boca procura a outra, despudorada. Os olhos se negam a ver, fecham-se; é o resquício de sua rígida educação, talvez; ou por preferir sentir a ver.

 

Não sabe, não consegue pensar. Só deseja. Pernas roçam-se, sexos se esfregam, línguas se exploram. É o que há: só o desejo puro reinando.

 

Livram-se das roupas com uma urgência desesperadora. Bocas, orelhas, nucas, ombros, pescoços, tudo sente a saliva que acompanha o louco passeio da língua quente, úmida, áspera. Apertam suas carnes, agarram-se, querem ser apenas um ser. Ensaiam uma peça única, só deles, criada neste instante. Roçam-se, exploram-se, riem, se mordem. Não há o que pensar: entrega-se.

 

A penetração acontece com um pouco de dor superada pelo tesão da hora. A respiração torna-se ofegante, o suor exala um cheiro diferente, gostoso, forte. A garganta libera um grito, misto de prazer e dor. Os corpos se movimentam num só ritmo, num segundo ato da peça não ensaiada. Sente o líquido jorrar de si e em si, o sexo pulsando, o corpo trêmulo. O êxtase. A carne hipersensibilizada. O prazer. O cansaço. E outro beijo.

 

Ele jamais imaginara que sentiria tanto prazer relacionando-se com outro homem.



Escrito por Adoradora às 19h45
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